Canto Posterolateral

Canto Posterolateral

O que é o canto posterolateral?

Complexo ligamentar que conecta o fêmur na tíbia e fíbula (fig 11), na região lateral (externa) do joelho, com a função de auxiliar na estabilidade do joelho, não permitindo que o joelho varize (Fig 12). Também tem ação na estabilidade rotacional do joelho, restringindo a rotação externa da tíbia. Uma vez lesionado, tem pouca capacidade de cicatrização, deixando o joelho instável. É formado por diversos ligamentos, sendo os principais: Ligamento Colateral Lateral; Tendão do Poplíteo e Ligamento Poplíteo-Fibular.

O que causa a lesão do canto posterolateral?

O mecanismo de lesão clássico do rompimento deste ligamento, é com torções do joelho, sendo a mais frequente aquela em que o pé fica fixo ao solo, o joelho vai para fora (estresse em varo), como demonstra a figura 13. São lesões pouco comuns em modalidades esportivas. Mais comum em acidentes com alta energia, como queda de motos. As lesões do canto posterolateral geralmente ocorrem associadas a lesões do Ligamento Cruzado Posterior ou do Ligamento Cruzado Anterior.

Quais os sintomas da pessoa que rompe o canto posterolateral?

Como geralmente está associada a outras lesões, os sintomas vão depender dos outro ligamentos rompidos. Um sintoma específico da insuficiência do canto posterolateral, que pode estar presente, é o desvio em varo do joelho durante a marcha, ou seja, ao apoiar o membro lesionado ao solo, o joelho tende a ir para fora, causando o que é chamado flambagem ou “varus thrust.” Além disso, o paciente pode sentir desconforto e instabilidade neste momento, e relatar que o joelho está “entortando para fora”.

Como é feito o diagnóstico?

Assim como os ligamentos cruzados, são utilizados 3 elementos para o diagnóstico: 1- A história do paciente, com os dados do momento da lesão e os sintomas relatados, conforme acima citados. 2- O exame físico realizado por ortopedista com experiência no tratamento destas lesões, geralmente especialista em cirurgia do joelho. O exame clínico é fundamental, pois é possível sentir a ação do ligamento e graduar quanto de instabilidade está presente, podendo até diferenciar uma lesão parcial de uma lesão total do ligamento. O exame sempre leva em comparação o outro joelho (não lesionado). 3- Exames de imagem: Radiografias, Tomografias e Ultrassonografia pouco ajudam. O exame que auxilia é a Ressonância Magnética. Apesar de ser um excelente exame, muitas vezes deixa dúvida se a lesão é parcial ou total. Por este motivo, é muito importante um bom exame clínico.

Como é o tratamento? Sempre tem que operar?

Lesões isoladas e parciais geralmente não geram instablidade portanto não causam sintomas e não é necessária a realização do procedimento cirúrgico. O tratamento é com fisioterapia com analgesia inicialmente seguido de fortalecimento, treino proprioceptivo e treino do gesto esportivo em questão. Já nos casos sintomáticos, com lesões de outros ligamentos associados, deve-se tratar cirurgicamente, com a reconstrução do ligamento central associado ( LCP ou LCA ou ambos), e também com a reconstrução dos ligamentos do canto posterolateral. Geralmente realizamos todas as reconstruções no mesmo ato operatório. Em casos em que todos os ligamento romperam ( LCA, LCP, LCM e Canto), operamos inicialmente o LCP e estruras laterais e medias, e em outro tempo cirúrgico o LCA.

Quais são as opções de enxerto?

Existem algumas opções de enxerto, podendo ser do próprio paciente ou até de cadáver. Pode ser do próprio joelho ou do outro joelho. Os enxertos mais comumente utilizados, são os tendões flexores (semitendíneo e grácil) . Em alguns países, utiliza-se tendões de cadáver. Devido a poucos bancos de tecidos no Brasil, esta opção é pouco utilizada. Porém como comumente são lesões associadas e portanto é necessária a reconstrução de outros ligamentos, a utilização de enxerto de cadáver é uma boa opção, e temos bancos disponíveis em São Paulo.

Como é após a cirurugia?

É fundamental a realização de fisioterapia após a cirurgia, podendo ser iniciada já nos primeiros dias de pós-operatório. Devido ao período de integração do enxerto, existem exercícios que são permitidos e outros não, e ao longo da reabilitação, conforme o passar das semanas, novos exercícios vão sendo introduzidos. É importante que o fisioterapeuta tenha experiência e conhecimento dos protocolos de reabilitação para uma boa recuperaçãoo e para não ocasionar lesões no enxerto. De forma geral, o paciente fica de um a dois dias internado, e inicia a fisioterapia na semana seguinte. Fica com imobilização por 6 semanas, com o joelho em extensão, porém a retira na fisioterapia para realizar mobilização passiva assistida pelo fisioterapeuta. Inicialmente, a ênfase é no ganho de mobilidade do joelho, analgesia e exercícios isométricos. Após o segundo mês, os exercícios são intensificados, e após o quarto mês, a ênfase é no fortalecimento final e nos exercícios de propriocepção (treino de equilíbrio). No final do sexto mês, estando a musculatura semelhante ao outro membro, e o equilíbrio restaurado, o paciente pode estar apto a retornar a sua prática esportiva.

Dr Luiz Gabriel Betoni Guglielmetti

Transplante de Menisco

Uma alternativa para os pacientes que lesam o menisco e são submetidos a cirurgias para retirada parcial ou total do menisco, é o transplante de menisco. Provenientes de cadáveres doadores de órgãos, estes meniscos estão disponíveis em alguns bancos de tecidos, e podem ser utilizados por médicos cadastrados para o uso de órgãos de banco, em Hospitais também cadastrados frente ao ministério de saúde. O meniscos ficam guardados congelados, e seu uso está indicado para pacientes relativamente jovens, sem artrose do joelho, submetidos a retirada do menisco e que apresentam dor no compartimento em que o menisco foi removido. Ou seja, são joelhos que ainda não degeneraram, porém já apresentam dor como sinal de que a degeneração ocorrerá. Portanto, não está indicado o transplante simplesmente pelo fato do menisco ter sido removido, é necessário que o paciente tenha dor. Sua indicação acaba sendo muito restrita. Existem duas formas de realizar o transplante: via artroscópica ou via aberta. Tais procedimentos foram pouco realizados no Brasil, sendo a Europa e EUA os locais onde mais transplantes foram feitos. Começaram a realizar no final dos anos 80 (primeiro caso em 1984), portanto a grande maioria dos pacientes foram operados recentemente, sem longos seguimentos que comprovem ação protetora do transplante quando comparado com pacientes que permaneceram sem o menisco. Além disso, a técnica cirúrgica não é simples e exige um treinamento adequado. Tive a oportunidade de assistir alguns transplantes meniscais em Boston (Brigham and Women’s Hospital) e aprender a técnica.

Menisco de cadáver pronto para ser implantado.

Menisco já implantado.

Conversando com o Dr Tom Minas, ortopedista dos EUA que já realizou diversos transplantes, perguntei quantas cirurgias ele realizou até considerar que havia realmente aprendido a técnica, e sua resposta foi: “ainda estou aprendendo”.

Dr Tom Minas, Boston 2015.

Visto que muitos pacientes vivem sem menisco, inclusive realizando atividades esportivas de alto impacto, e tem uma vida normal e muitas vezes não desenvolvem artrose do joelho, a indicação de um transplante meniscal deve ser sempre muito cautelosa.

Menisco Artificial

Uma pergunta frequente dos pacientes que sofrem lesão do menisco com necessidade de cirurgia para retirá-lo totalmente ou parcialmente, é se existe algum tipo de menisco artificial ou algo sintético para fazer a função do mesmo. Sabe-se que o menisco tem três importantes funções: absorção de impacto; estabilização da articulação e nutrição da cartilagem. Diversos tecidos artificiais já foram estudados e testados como meniscos artificiais, porém os resultados ainda são incertos.

 

Tive a oportunidade de acompanhar em novembro de 2015, a colocação de um menisco artificial (NUsurface® Meniscus Implant) no Brigham and Women’s Hospital, em Boston (EUA).

 

 

 

Na ocasião, conversei com o médico italiano que mais utilizou este implante, e também com um engenheiro da empresa que fabrica este menisco. Segundo eles, os resultados são promissores. Este implante começou a ser usado em 2008, portanto ainda não há seguimento a longo prazo. De qualquer forma, teremos que aguardar alguns anos para termos dados mais concretos sobre este tipo de menisco artificial, em relação a sua função e durabilidade.

Existem também meniscos artificiais que são integrados pelo nosso organismo, funcionando como “scaffolds” nos quais há a formação de tecido humano. Um exemplo deste tipo de menisco artificial é o Actifit® polyurethane meniscal scaffold, já bastante utilizado na Europa. Alguns dados publicados indicam resultados promissores, porém ainda muito se discute sobre real eficiência, satisfação dos pacientes e quem são os indivíduos indicados para a sua utilização. Infelizmente no momento (janeiro 2019), ainda não temos no Brasil meniscos artificiais disponíveis e liberados para uso pela ANVISA.

 

Mitos da Ortopedia

Diversos termos e condutas relacionados à ortopedia são ditos e utilizados de forma incorreta, criando alguns mitos. Abaixo alguns esclarecimentos a respeito destes mitos:

1- “Foi só uma luxação!”
Esta afirmação é muito comum, e muitas pessoas acham que luxação é algum tipo de contusão, “pancada”ou trauma leve. Na realidade, luxação ocorre quando um osso se desloca da sua articulação. Exemplos: luxação do ombro é quando o ombro é deslocado, em outros termos, é quando sai do lugar. O mesmo para luxação do dedo da mão ou pé, quando ocorre o deslocamento. Geralmente as luxações lesam ligamentos importantes da articulação, sendo portanto lesões graves, em algumas situações mais graves que fraturas.

2- “Tendinite não tem cura”
Muitas pessoas que realizam movimentos repetitivos apresentam inflamações dos tendões, estruturas que conectam o músculo ao osso. Em casos crônicos (mais de 2 meses com a tendinite), o tratamento pode ser difícil e lento, porém dificilmente uma tendinite deixa sequelas, e frequentemente tem cura.

3- “Tive uma rejeição do metal”
É possível o nosso organismo produzir uma reação inflamatória contra algum material introduzido no corpo humano, como por exemplo contra metais, causando o que popularmente é chamado de rejeição. Porém é infrequente isto ocorrer com implantes metálicos ortopédicos. O que geralmente ocorre é um processo infeccioso causado por bactérias que aderem ao metal, e são de difícil tratamento pela dificuldade dos antibióticos agirem nesta região, sendo geralmente necessária a retirada dos implantes e limpeza cirúrgica.

4- “Tenho uma platina no osso”
Platina é um metal de transição. Atualmente, os implantes metálicos (placas, parafusos, próteses…) são constituídos por ligas metálicas, porém não é utilizado platina.

5- “Existe remédio para formar cartilagem?”
Nos últimos anos foram muito utilizados medicamentos para proteção da cartilagem das articulações, os chamados condroprotetores. Existem alguns tipos de condroprotetores, porém nenhum tem comprovação que estimula a produção de cartilagem. Alguns estudos apontam para a ação protetora da cartilagem que ainda está sadia por alguns medicamentos. Porém outros estudos consideram que não protegem a cartilagem, portanto o assunto é controverso. Os mais utilizados e estudados são os compostos com glicosamina e condroitina. Devido a um potencial analgésico, e poucos efeitos colaterais possíveis, são muito utilizados para artrose.

6- “Gelo ou quente?”
Dependendo da lesão e região do corpo acometida, existem algumas variações da utilização das compressas quente ou fria. De forma geral, logo após a lesão, ocorre a fase inflamatória aguda, com edema e sinais inflamatórios evidentes. Neste momento o gelo é o mais indicado, para inibir uma resposta inflamatória muito exuberante. Na fase seguinte, fase proliferativa, ainda há uma reação inflamatória, menos intensa, e ocorre o início da cicatrização. Neste momento, devemos utilizar o gelo para inibir a inflamaçãoo exuberante e utilizar o calor para estimular a chegadas de células cicatricias na região. Portanto nesta fase é interessante a troca de calor. Na fase final, ou fase cicatricial ou remodeladora, já não é necessário o gelo, pois a reação inflamatória não é muito importante, então o mais adequado é a aplicaçãoo do calor local. Vale citar que para cada tipo de lesão e local acometido, o tempo de cada fase pode variar, portanto o tempo que devemos realizar gelo, troca de calor e calor local somente varia.

7- “Fissura no osso é fratura?
É muito comum escutarmos: “tive apenas uma fissura no osso, mas não quebrou”. Vamos esclarecer: quebrar o osso = fratura. Existem fraturas completas e incompletas. Uma pequena “rachadura” no osso ou um mínimo “trincado” no osso são considerados fraturas incompletas, e devem ser tratados como fraturas, com tempo de cicatrização semelhante a fraturas completas. Portanto, qualquer “fissura”, “trincado”, rachadurinha”, são fraturas.

8- “É possível quebrar um osso do pé ou tornozelo e conseguir andar?
Sim! Existem fraturas com desvio e em locais que causam muita dor, e nestes casos dificilmente a pessoa consegue andar. Porém existem fraturas sem desvio ou estáveis que causam pouca dor, e aí sim é possível que a pessoa ande, e em algumas situações até continue realizando a atividade esportiva no momento da fratura.

Lesões no Futebol

O futebol é o esporte mais praticado no Brasil, sendo causador de várias lesões. Pratico esta modalidade desde os 7 anos de idade, quando iniciei na categoria fraldinha do Campeonato Interclubes em São Paulo, jogando pelo Colégio Santo Américo. Desde então, coleciono diversas lesões, cirúrgicas e não cirúrgicas, e graças aos avanços da Medicina e da Ortopedia, continuo jogando . Atualmente, além de jogar, trabalho com a área esportiva e principalmente com o futebol, pois já fiz parte do Departamento Médico do Grêmio Recreativo Barueri e da Seleção Brasileira de Futebol Feminino.

Em relação às patologias ortopédicas do futebol, as mais comuns são:

Lesões musculares;
Tendinopatias;
Lesões ligamentares;
Fraturas;

Outras lesões.

As lesões musculares são as mais frequentes, acometendo os adutores, musculatura posterior da coxa, quadríceps e panturrilha. Ocorrem geralmente após contrações excêntricas intensas, em momentos de fadiga muscular. Independente do grau da lesão, o tratamento é praticamente sempre conservador, ou seja, não necessita de cirurgia, sendo fundamental uma equipe fisioterápica experiente para que a reabilitação seja adequada e o retorno aos treinos seja o mais rápido possível, porém nunca antes do tempo, para evitar novas lesões.

Dr Luiz Gabriel examinando atleta da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, Granja Comary.

Já os tendões, estruturas colágenas que conectam o músculo ao osso, também são locais frequentes de problemas no futebol. Os mais comuns são os tendões dos músculos adutores e abdominais (pubalgias), tendão quadrciptal, tendão patelar e tendão de aquiles. Podem apenas inflamar, sofrer processos degenerativos e até romper. Quando rompem, é necessário o tratamento cirúrgico. Já nos casos de inflamações e degenerações, o tratamento fisioterápico deve ser instituído, semelhante a grosso modo com o das lesões musculares.

As lesões ligamentares acometem principalmente o tornozelo e joelho. No tornozelo, o tratamento conservado geralmente é eficaz, necessitando de cirurgia em casos de excessão, com instabilidade importante. No joelho os ligamentos mais afetados são o cruzado anterior e o colateral medial. O cruzado anterior necessita de reconstrução cirúrgica e uma reabilitação intensiva e longa. Já o colateral medial geralmente cicatriza sem deixar instabilidade, sendo tratado sem cirurgia. Os meniscos também são muito lesados, apesar de não serem ligamentos, coloco neste espaço pois são decorrentes de entorses do joelho. O tratamento é cirúrgico, para reparo ( sutura) ou simplesmente ressecção do fragmento lesado.
As fraturas decorrentes do futebol são diversas, podendo ocorrer tanto nos membros superiores como no inferiores, dependendo do mecanismo de trauma.

Outras lesões menos frequentes também ocorrem, como lesões na coluna (espondilolistes), ombro ( luxações gleno-umerais, luxações acrômio-claviculares), luxações do cotovelo, etc.

Apesar de tantos problemas que o futebol pode causar, é um esporte apaixonante, para muitos uma terapia mental, e a medicina esportiva se desenvolve para reabilitar tais lesões sempre buscando o retorno do atleta ao esporte, de forma profissional ou amadora recreativa. A frase: “Você não pode mais jogar” deve ser cada vez mais extinta do vocabulário médico, visto exemplos como Ronaldo fenômeno, Para-Olimpíadas, etc.

Prótese de Joelho

A prótese total de joelho é um implante utilizado para substituir a articulação joelho. Utilizada para joelhos degenerados e dolorosos, com resultados satisfatórios na grande maioria dos pacientes. Na grande maioria dos implantes disponíveis, consiste de 4 componentes:

Componente metálico tibial
Componente metálico femoral
Polietileno (fica entre os componentes tibial e femoral)
Componente patelar (polietileno)
A prótese do joelho é na realidade a última linha de tratamento da artrose do joelho. Antes dela, deve-se realizar o tratamento não cirúrgico, com fisioterapia, exercícios específicos, perda de peso e alguns medicamentos que podem auxiliar no manejo da dor. A indicação de colocação da prótese geralmente vem do próprio paciente, quando o mesmo já tentou todas as alternativas terapêuticas porém ainda sente dor intensa contínua. Nestes casos, com indicação correta e no momento certo, a substituição da articulação do joelho pela prótese oferece resultados extremamente satisfatórios, sendo frequente o paciente relatar que deveria ter operado antes.

A prótese não dura por tempo indeterminado. Esperamos que dure por mais de 10 – 15 anos. Em alguns casos, dura mais de 25 anos. Porém chega um momento que ela começa a soltar do osso, e isto causa dor, sendo portanto necessária a troca da prótese. A cirurgia de troca da prótese é uma cirurgia tecnicamente mais difícil e mais complicada, com maior chance de complicações. Este é o motivo para tentarmos indicar a colocação da primeira prótese o mais tardiamente possível, para não ser necessária a sua troca.

Outros motivos de troca da prótese são infecção e falhas técnicas na sua implantação. Em alguns casos, a prótese solta antes do esperado, sem causas identificáveis. Após a colocação da prótese de joelho, o paciente anda com auxílio de andador/muletas por aproximadamente 4 semanas, porém já pode pisar com carga parcial desde o segundo dia após a cirurgia. É fundamental uma boa reabilitação com orientação fisioterápica. Após 2 meses da cirurgia, espera-se que o paciente deambule sem auxílio de muletas e sem claudicar.

Artrose do Joelho

O que é artrose?

É um processo degenerativo da articulação, com lesões na cartilagem e no osso que está recoberto pela cartilagem. Pode ocorrer em qualquer articulação do corpo, sendo comum nas mãos, coluna, joelhos e quadril.

Quais os tipos de artrose?
Podemos separar a artrose em dois grupos: 1- artrose primária ; 2- Artrose secundária.

A primária é aquela sem causa definida, simplesmente começa a ocorrer a degeneração da cartilagem, podendo ocorrer em uma ou mais articulações. Já a secundária, existe algum fator que ocasiona a ocorrência da artrose. Exemplos: doenças reumáticas ou inflamatórias, após fraturas articulares, após deformidades dos membros, após osteonecrose, entre outras.

Quais os sintomas da artrose?

Os principais sintomas são dor, crepitações e episódios de edema articular. Pode ocorrer apenas edema pós eforços com dor leve, somente dor sem edema, e em alguns casos, pode não causar sintomas. Depende obviamente de qual é a articulação envolvida. Geralmente a dor é relacionada com esforços, doendo caracteristicamente no final do dia. Pós longos períodos sem movimento, também pode causar dor.

Como é feito o diagnóstico?

Com a história do paciente, com os sintomas relatados, conforme acima citados. Com o exame físico realizado por ortopedista, avaliando o local da dor, presença de edema, deformidades e alterações que justifiquem o processo. E com exames de imagem: Radiografia é um exame que avalia a parte óssea, sendo suficiente para o diagnóstico da artrose  Para avaliar a cartilagem em fases iniciais da artrose, o exame indicado é a Ressonância Magnética. Apesar de ser um excelente exame, a cartilagem é um tecido de difícil visualização.

 

Como é o tratamento sem cirurgia?

Inicialmente o tratamento fisioterápico sempre é recomendado, para analgesia, fortalecimento muscular e treino proprioceptivo. Perda de peso é outra medida importante no tratamento. Basicamente, uma articulação com artrose, tendo uma musculatura forte e equilibrada, num paciente não obeso, pode ocasionar pouca ou até nenhuma dor. Portanto, o tratamento não cirúrgico sempre é o primeiro a ser recomendado. Existem medicações com potencial discutível de proteção da cartilagem, que são os condroprotetores. Os mais conhecidos e com mais evidências científicas de ter algum efeito protetor são as glicosaminas e as condroitínas, que devem ser usadas por longos períodos por tempo indeterminado. Infiltraçoes de corticoesteróides melhoram a dor porém são nocivas ao tecido da cartilagem, portanto devem ser utilizadas com parcimônia. O ácido hialurônico é um medicamento para infiltraçãoo articular que gera um efeito lubrificante na articulação, podendo melhorar a dor por um período limitado. Discute-se atualmente se ele tem efeito protetor à cartilagem. Outra substância que pode ser infiltrada no joelho é o PRP (plasma rico em plaquetas), porém com poucos estudos sobre eficiência.

Como é o tratamento cirúrgico?

Existem alternativas cirúrgicas.A mais simples e menos agressiva é a artroscopia. Existem 3 situações que vale a pena realizar este procedimento:Artrose com lesão meniscal sintomática;
Com corpo livre articular sintomático;
Com a presença de osteófito anterior que limita a extensão do joelho. Artroscopia simplesmente para limpeza não é indicada, pois a melhora da dor é limitada, podendo até piorar o quadro.
Outra alternativa cirúrgica é a osteotomia  que é indicada no caso de artrose de apenas 1 compartimento, com o intuito de transferir a carga para o compartimento sadio. É um procedimento para melhorar a dor e adiar a progressão da artrose no compartimento comprometido.

 

E por fim, a cirurgia com maior maior capacidade de resolução, a artroplastia do joelho . Nesta cirurgia, a articulação é substituída por uma prótese metálica, com melhora muito evidente da dor, porém é uma cirurgia que não dura para sempre, pois a prótese em algum momento soltará. Costuma durar entre 5 e 20 anos, dependendo de uma série de fatores.

Lesões do Menisco

O que é menisco?

É uma estrura composta por colágeno, localizada na articulação do joelho, entre o fêmur e a tíbia. Cada joelho possui 2 meniscos, um medial (na parte interna) e outro lateral (na parte externa). São semelhantes, porém o menisco lateral tem mais mobilidade que o lateral.

 

 

Qual a função do menisco?

O menisco tem 3 funções principais:

absorção do imacto da articulação, funcionando como uma espécie de amortecedor do joelho;
estabilizador, auxiliando os ligamentos a proporcionarem estabilidade para a articulação;
nutrição da cartilagem do fêmur e tíbia, pois aumentam a congruência articular e aumentam a pressão do líquido articular contra a cartilagem, auxiliando a entrada deste líquido na cartilagem.
O que causa a lesão do menisco?
Podemos dividir em 2 tipos de lesão:

lesões traumáticas, ou seja, após entorses ou luxações do joelho. Neste tipo, o menisco era sadio antes da lesão;
lesões degenerativas, comuns em pacientes após os 40 anos de idade, muitas vezes sem mecanismo de lesão evidente, às vezes após agachamentos completos. Neste caso, já havia algum processo degenerativo previamente.
Quais os sintomas da lesão do menisco?

O principal sintoma é dor no joelho, gelamente na parte interna ou externa da articulação, dependendo domenisco em questão. Derrame articular pode ocorrer após o evento que causou a lesão, porém geralmente não muito exuberante. Nos casos de lesões em “alça de balde”, um pedaço do menisco fica deslocado, dando a sensaçãoo de que o joelho está “fora do lugar”, momentaneamente, até que a alça retorne ao local de origem. Quando a alça está deslocada, é comum a queixa de travamento, ou seja, o joelho nem flete nem extende até a alça retornar à sua posição.

 

 

Como é feito o diagnóstico?

São usados 3 elementos para o diagnóstico:

 

A história do paciente, com os dados do momento da lesão e os sintomas

relatados, conforme acima citados.
O exame físico realizado por ortopedista com experiência no tratamento destas lesões, geralmente especialista emcirurgia do joelho. Existem alguns testes que falam a favor do diagnóstico.
Exames de imagem: Radiografias, Tomografias e Ultrassonografia pouco ajudam. O exame que auxilia é a Ressonância Magnética. Apesar de ser um excelente exame, muitas vezes deixa dúvida. Por este motivo, é muito importante um bom exame clínico.

 

Como é o tratamento?

O tratamento pode ser círugico ou sem cirurgia, com a realização de fisioterapia. Por se tratar de uma estrutura com pouca capacidade de cicatrização, o tratamento na grande maioria das vezes é cirúrgico , com a retirada da região lesionada, delicadamente, para ressecar o mínimo possível e regularizar as bordas, mantendo a função do restante do menisco que está sadio . Em pacientes jovens, com lesão há poucos meses, na região periférica do menisco, é possível o reparo do menisco (sutura com pontos), pois lesões com estas características tem bom potencial de cicatrização.
Neste caso, não há ressecção do menisco, preservando a estrutura.

 

 

 

Como é após a cirurgia do menisco?

No caso da simples ressecção da região lesionada, não há nada para cicatrizar, portanto o retorno às atividades é rápido. Oriento 1 semana de apoio com muletas, já com carga parcial, e já na segunda semana o paciente está autorizado a andar sem muletas. Quando é realizada a sutura do menisco, é necessário um período mais longo de muletas, entre 4 a 6 semanas, período para cicatrização da região suturada.

Lesões Condrais

O que é uma lesão condral?

Condral significa relacionado a cartilagem. Cartilagem é o tecido que recobre o osso nas articulações do corpo. É um tecido formado por condrócitos, colágeno e proteoglicanos. Portanto lesão condral significa lesão da cartilagem.

A lesão pode ser causada por eventos traumáticos (exemplos: entorse do joelho, trauma direto em acidente automobilístico,

fratura que atinge a superfície da articulação, etc) ou por processo degenerativo. Quando temos um processo degenerativo, geralmente é difuso, caracterizando um processo de artrose. Quando falamos em lesão condral, nos referimos a lesões isoladas da cartilagem. Outra causa de lesão condral é aosteocondrite dissecante, que costuma ocorrer em pacientes joevens.

 

 

 

Quais são os graus?

Para graduar, existem algumas classificações descritas. As mais utilizadas são a Classificação de Outerbridge e a da ICRS (International Cartilage Repair Society), que são semelhantes. Dividem basicamente em 4 graus: Grau I: amolecimento da cartilagem; Grau II: fissuras superficiais; Grau III: fissuras profundas; Grau IV: erosão óssea. A importância de classificar a lesão deve-se ao fato de que para cada tipo de lesão temos opções de tratamentos diferentes

 

 

 

 

Quais os sintomas?

Os principais sintomas são dor e edema no joelho. Pode ocorrer apenas edema pós esforços com dor leve, somente dor sem edema, e em alguns casos, pode não causar sintomas. A queixa do joelho inchar após atividades físicas com dor leve é frequente. Podem ocorrer também estalidos e crepitações. Dependendo do local da lesão, os sintomas podem ser diferentes, como por exemplo quando há lesão na patela, com os sintomas descritos no ítem condromalácea patelar.

 

Como é feito o diagnóstico?

Com a história do paciente, com os sintomas relatados, conforme acima citados. Com o exame físico realizado por ortopedista, avaliando o local da dor, presença de edema e alterações que justifiquem o processo. E com exames de imagem: Radiografias, Tomografias e Ultrassonografia pouco ajudam. O exame que auxilia é a Ressonância Magnética. Apesar de ser um excelente exame, a cartilagem é um tecido de difícil visualização. Portanto para certeza na classificação das lesões condrais, a única forma é através da artroscopia. Porém é evidente que não realizamos artroscopia somente para a classificação destas lesões, e nos baseamos na Ressonância Magnética. Vale lembrar que máquinas de Ressonância modernas são capazes de avaliar com boa precisão, porém a maioria das máquinas existentes no Brasil não possuem tal precisão.

 

 

Como é o tratamento?

Inicialmente o tratamento fisioterápico sempre é recomendado, para analgesia, fortalecimento muscular e treino proprioceptivo. Porém lesões condrais sintomáticas, quando bem delimitadas, com bordas definidas, podem ser tratadas de forma cirúrgica com bons resultados. Existem algumas técnicas, como debridamento artroscópico, microfraturas, transplantes de fragmentos ósseos com cartilagem do próprio paciente (mosaicoplastia), transplante autólogo de condrócitos e transplantes de fragmentos ósseos com cartilagem de cadávers. De forma geral, para lesões pequenas (menor que 1 a 2 cm2), a técnica de microfratura apresenta bons resultados. Para lesões pequenas e médias ( 1 a 4 cm2), a técnica de mosaicoplastia também oferece bons resultados. Já para grandes lesões (maiores que 4 cm2), as técnicas mais indicadas são o transplante autólogo de condrócitos e os transplantes de fragmentos de cadavers. Quanto maior a lesão, maior o desafio do cirurgião, visto a maior dificuldade cirúrgica e resultados inferiores. Pequenas lesões podem até não causarem sintomas por longos períodos. Após o tratamento cirúrgico, é necessário aguardar o període de cicatrização do tecido independentemente da técnica, sendo necessário o uso de muletas para evitar a descarga de peso na articulação, por período de 4 a 8 semanas, dependendo do caso e técnica empregada. Após este período, o tratamento fisioterápico é intensificado, seguindo o protocolo específico de cada técnica.

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