Lesão do Ligamento Cruzado Anterior em atletas.

O número de praticantes de atividades físicas dos mais diversos níveis aumenta cada vez mais, e de certa forma acaba gerando mudanças na saúde da população. Obviamente o exercício físico trás inúmeros benefícios à saúde do indivíduo, porém fazendo uma analogia direta, quanto mais indivíduos praticando e se expondo ao esporte, maior também é a chance de lesões.

Essas lesões decorrentes da prática esportiva estão sendo cada vez mais estudadas: estudos voltados a prevenção, maior acurácia diagnóstica e tratamentos mais eficientes e embasados cientificamente tem cada vez mais repercussão no meio científico.

A ruptura do Ligamento Cruzado Anterior (LCA) é uma das mais frequentes lesões ligamentares do membro inferior envolvendo praticantes de atividade física dos mais variados níveis e esportes (em nosso meio, em especial o futebol), aumentando sua incidência inclusive em crianças devido ao fato de estarem envolvidas em esportes de caráter competitivo cada vez mais cedo.

O LCA é um importante estabilizador do complexo articular do joelho e , a lesão deste, acarreta muitas vezes déficit funcional bastante significativo, já que este é um dos ligamentos com o maior número de receptores do corpo humano, o que leva a alterações sensório-motoras importantes. Essa lesão que comumente ocorre após entorse do joelho, pode aparecer de forma isolada ou associada a lesões de outras estruturas do joelho (ligamentos e meniscos por exemplo). O tratamento desta lesão pode ser feito através de reconstrução cirúrgica e também de forma conservadora baseado em fisioterapia. A recuperação plena desta lesão vai depender de inúmeros fatores como a escolha do tipo de abordagem (cirúrgica ou não cirúrgica), tipo de cirurgia a ser realizada, lesões estruturais associadas, condições do indivíduos pré-lesão, expectativas e atividades do paciente, nível de atividade física do paciente, etc..

Os estudos voltados à fisioterapia para a reconstrução do LCA evoluiram bastante no decorrer dos anos, e hoje temos uma reabilitação cada vez mais específica e com condutas baseadas em estudos de boa qualidade, o que torna a recuperação mais eficiente e segura. Nesse processo não devemos esquecer que cada indivíduo responderá de forma diferente aos estímulos, o que nos faz respeitar e entender a recuperação e as respostas de cada um.

O sucesso da reabilitação e retorno do paciente a sua vida normal e às suas necessidades esportivas, vão além da escolha inicial de tratamento (cirurgico ou conservador): dependem muito dos procedimentos utilizados na fase de reabilitação. Nos casos onde o tratamento escolhido foi cirúrgico (que é a grande maioria), o paciente muitas vezes inicia o processo de fisioterapia ainda no hospital, com mobilizações e exercícios leves, acompanhados de orientações, sendo essa última de grande importância nas atividades de vida diária do paciente.

Os primeiros estágios da recuperação de maneira geral se iniciam com uso de Crioterapia (terapia com uso de gelo), técnicas de terapia manual voltadas a mobilizações do complexo articular do joelho, estímulos voltados ao “despertar” da musculatura da coxa, recursos de Eletrotermofototerapia com o objetivo analgésico e controle de inflamação, orientações e treino de descarga de peso com uso de dispositivos auxiliares( muletas), etc. O objetivo inicial nessa fase é minimizar a dor e edema, ganhar amplitude de movimento, prevenir complicações , iniciar retorno a funcionalidade e estimular a contração dos músculos do membro inferior.

Após o paciente ter alta hospitalar, o processo de fisioterapia se intensifica ainda mais e a melhora funcional do paciente fica cada vez mais evidente.

Pensando em um modelo de reabilitação voltado à funcionalidade, avançamos no processo sempre que o individuo se encontra apto dentre as condições exigidas, sempre respeitando a biologia da recuperação e integração do enxerto (podemos dizer “novo-ligamento”) ao corpo.

O tempo total de recuperação gira em torno dos 6 a 7 meses porém em alguns lugares dos EUA, grandes centros de fisioterapia estendem essa recuperação até os 8-9 meses. Vale ressaltar que quando o paciente atleta tem alta fisioterapêutica, sempre recomendamos que ele continue com os estímulos de força e sensório-motores a fim de ganhar e manter o que ganhou com todo o processo.

As estratégias de prevenção desta lesão descritas na literatura, assim como evolução dos critérios de liberação do atleta pós-lesão também tem sido alvo de pesquisas recentes, nos direcionando e fornecendo dados colhidos através de diversas ferramentas (questionários, avaliações e testes clínicos por exemplo), auxiliando cada vez mais os profissionais que estão diretamente envolvidos com os atletas.

Henrique Furlan Moreno Crefito: 105234F

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