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Menisco Artificial

Uma pergunta frequente dos pacientes que sofrem lesão do menisco com necessidade de cirurgia para retirá-lo totalmente ou parcialmente, é se existe algum tipo de menisco artificial ou algo sintético para fazer a função do mesmo. Sabe-se que o menisco tem três importantes funções: absorção de impacto; estabilização da articulação e nutrição da cartilagem. Diversos tecidos artificiais já foram estudados e testados como meniscos artificiais, porém os resultados ainda são incertos.

 

Tive a oportunidade de acompanhar em novembro de 2015, a colocação de um menisco artificial (NUsurface® Meniscus Implant) no Brigham and Women’s Hospital, em Boston (EUA).

 

 

 

Na ocasião, conversei com o médico italiano que mais utilizou este implante, e também com um engenheiro da empresa que fabrica este menisco. Segundo eles, os resultados são promissores. Este implante começou a ser usado em 2008, portanto ainda não há seguimento a longo prazo. De qualquer forma, teremos que aguardar alguns anos para termos dados mais concretos sobre este tipo de menisco artificial, em relação a sua função e durabilidade.

Existem também meniscos artificiais que são integrados pelo nosso organismo, funcionando como “scaffolds” nos quais há a formação de tecido humano. Um exemplo deste tipo de menisco artificial é o Actifit® polyurethane meniscal scaffold, já bastante utilizado na Europa. Alguns dados publicados indicam resultados promissores, porém ainda muito se discute sobre real eficiência, satisfação dos pacientes e quem são os indivíduos indicados para a sua utilização. Infelizmente no momento (janeiro 2019), ainda não temos no Brasil meniscos artificiais disponíveis e liberados para uso pela ANVISA.

 

Lesões no Futebol

O futebol é o esporte mais praticado no Brasil, sendo causador de várias lesões. Pratico esta modalidade desde os 7 anos de idade, quando iniciei na categoria fraldinha do Campeonato Interclubes em São Paulo, jogando pelo Colégio Santo Américo. Desde então, coleciono diversas lesões, cirúrgicas e não cirúrgicas, e graças aos avanços da Medicina e da Ortopedia, continuo jogando . Atualmente, além de jogar, trabalho com a área esportiva e principalmente com o futebol, pois já fiz parte do Departamento Médico do Grêmio Recreativo Barueri e da Seleção Brasileira de Futebol Feminino.

Em relação às patologias ortopédicas do futebol, as mais comuns são:

Lesões musculares;
Tendinopatias;
Lesões ligamentares;
Fraturas;

Outras lesões.

As lesões musculares são as mais frequentes, acometendo os adutores, musculatura posterior da coxa, quadríceps e panturrilha. Ocorrem geralmente após contrações excêntricas intensas, em momentos de fadiga muscular. Independente do grau da lesão, o tratamento é praticamente sempre conservador, ou seja, não necessita de cirurgia, sendo fundamental uma equipe fisioterápica experiente para que a reabilitação seja adequada e o retorno aos treinos seja o mais rápido possível, porém nunca antes do tempo, para evitar novas lesões.

Dr Luiz Gabriel examinando atleta da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, Granja Comary.

Já os tendões, estruturas colágenas que conectam o músculo ao osso, também são locais frequentes de problemas no futebol. Os mais comuns são os tendões dos músculos adutores e abdominais (pubalgias), tendão quadrciptal, tendão patelar e tendão de aquiles. Podem apenas inflamar, sofrer processos degenerativos e até romper. Quando rompem, é necessário o tratamento cirúrgico. Já nos casos de inflamações e degenerações, o tratamento fisioterápico deve ser instituído, semelhante a grosso modo com o das lesões musculares.

As lesões ligamentares acometem principalmente o tornozelo e joelho. No tornozelo, o tratamento conservado geralmente é eficaz, necessitando de cirurgia em casos de excessão, com instabilidade importante. No joelho os ligamentos mais afetados são o cruzado anterior e o colateral medial. O cruzado anterior necessita de reconstrução cirúrgica e uma reabilitação intensiva e longa. Já o colateral medial geralmente cicatriza sem deixar instabilidade, sendo tratado sem cirurgia. Os meniscos também são muito lesados, apesar de não serem ligamentos, coloco neste espaço pois são decorrentes de entorses do joelho. O tratamento é cirúrgico, para reparo ( sutura) ou simplesmente ressecção do fragmento lesado.
As fraturas decorrentes do futebol são diversas, podendo ocorrer tanto nos membros superiores como no inferiores, dependendo do mecanismo de trauma.

Outras lesões menos frequentes também ocorrem, como lesões na coluna (espondilolistes), ombro ( luxações gleno-umerais, luxações acrômio-claviculares), luxações do cotovelo, etc.

Apesar de tantos problemas que o futebol pode causar, é um esporte apaixonante, para muitos uma terapia mental, e a medicina esportiva se desenvolve para reabilitar tais lesões sempre buscando o retorno do atleta ao esporte, de forma profissional ou amadora recreativa. A frase: “Você não pode mais jogar” deve ser cada vez mais extinta do vocabulário médico, visto exemplos como Ronaldo fenômeno, Para-Olimpíadas, etc.

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