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Transplante de Menisco

Uma alternativa para os pacientes que lesam o menisco e são submetidos a cirurgias para retirada parcial ou total do menisco, é o transplante de menisco. Provenientes de cadáveres doadores de órgãos, estes meniscos estão disponíveis em alguns bancos de tecidos, e podem ser utilizados por médicos cadastrados para o uso de órgãos de banco, em Hospitais também cadastrados frente ao ministério de saúde. O meniscos ficam guardados congelados, e seu uso está indicado para pacientes relativamente jovens, sem artrose do joelho, submetidos a retirada do menisco e que apresentam dor no compartimento em que o menisco foi removido. Ou seja, são joelhos que ainda não degeneraram, porém já apresentam dor como sinal de que a degeneração ocorrerá. Portanto, não está indicado o transplante simplesmente pelo fato do menisco ter sido removido, é necessário que o paciente tenha dor. Sua indicação acaba sendo muito restrita. Existem duas formas de realizar o transplante: via artroscópica ou via aberta. Tais procedimentos foram pouco realizados no Brasil, sendo a Europa e EUA os locais onde mais transplantes foram feitos. Começaram a realizar no final dos anos 80 (primeiro caso em 1984), portanto a grande maioria dos pacientes foram operados recentemente, sem longos seguimentos que comprovem ação protetora do transplante quando comparado com pacientes que permaneceram sem o menisco. Além disso, a técnica cirúrgica não é simples e exige um treinamento adequado. Tive a oportunidade de assistir alguns transplantes meniscais em Boston (Brigham and Women’s Hospital) e aprender a técnica.

Menisco de cadáver pronto para ser implantado.

Menisco já implantado.

Conversando com o Dr Tom Minas, ortopedista dos EUA que já realizou diversos transplantes, perguntei quantas cirurgias ele realizou até considerar que havia realmente aprendido a técnica, e sua resposta foi: “ainda estou aprendendo”.

Dr Tom Minas, Boston 2015.

Visto que muitos pacientes vivem sem menisco, inclusive realizando atividades esportivas de alto impacto, e tem uma vida normal e muitas vezes não desenvolvem artrose do joelho, a indicação de um transplante meniscal deve ser sempre muito cautelosa.

Menisco Artificial

Uma pergunta frequente dos pacientes que sofrem lesão do menisco com necessidade de cirurgia para retirá-lo totalmente ou parcialmente, é se existe algum tipo de menisco artificial ou algo sintético para fazer a função do mesmo. Sabe-se que o menisco tem três importantes funções: absorção de impacto; estabilização da articulação e nutrição da cartilagem. Diversos tecidos artificiais já foram estudados e testados como meniscos artificiais, porém os resultados ainda são incertos.

 

Tive a oportunidade de acompanhar em novembro de 2015, a colocação de um menisco artificial (NUsurface® Meniscus Implant) no Brigham and Women’s Hospital, em Boston (EUA).

 

 

 

Na ocasião, conversei com o médico italiano que mais utilizou este implante, e também com um engenheiro da empresa que fabrica este menisco. Segundo eles, os resultados são promissores. Este implante começou a ser usado em 2008, portanto ainda não há seguimento a longo prazo. De qualquer forma, teremos que aguardar alguns anos para termos dados mais concretos sobre este tipo de menisco artificial, em relação a sua função e durabilidade.

Existem também meniscos artificiais que são integrados pelo nosso organismo, funcionando como “scaffolds” nos quais há a formação de tecido humano. Um exemplo deste tipo de menisco artificial é o Actifit® polyurethane meniscal scaffold, já bastante utilizado na Europa. Alguns dados publicados indicam resultados promissores, porém ainda muito se discute sobre real eficiência, satisfação dos pacientes e quem são os indivíduos indicados para a sua utilização. Infelizmente no momento (janeiro 2019), ainda não temos no Brasil meniscos artificiais disponíveis e liberados para uso pela ANVISA.

 

Lesões do Menisco

O que é menisco?

É uma estrura composta por colágeno, localizada na articulação do joelho, entre o fêmur e a tíbia. Cada joelho possui 2 meniscos, um medial (na parte interna) e outro lateral (na parte externa). São semelhantes, porém o menisco lateral tem mais mobilidade que o lateral.

 

 

Qual a função do menisco?

O menisco tem 3 funções principais:

absorção do imacto da articulação, funcionando como uma espécie de amortecedor do joelho;
estabilizador, auxiliando os ligamentos a proporcionarem estabilidade para a articulação;
nutrição da cartilagem do fêmur e tíbia, pois aumentam a congruência articular e aumentam a pressão do líquido articular contra a cartilagem, auxiliando a entrada deste líquido na cartilagem.
O que causa a lesão do menisco?
Podemos dividir em 2 tipos de lesão:

lesões traumáticas, ou seja, após entorses ou luxações do joelho. Neste tipo, o menisco era sadio antes da lesão;
lesões degenerativas, comuns em pacientes após os 40 anos de idade, muitas vezes sem mecanismo de lesão evidente, às vezes após agachamentos completos. Neste caso, já havia algum processo degenerativo previamente.
Quais os sintomas da lesão do menisco?

O principal sintoma é dor no joelho, gelamente na parte interna ou externa da articulação, dependendo domenisco em questão. Derrame articular pode ocorrer após o evento que causou a lesão, porém geralmente não muito exuberante. Nos casos de lesões em “alça de balde”, um pedaço do menisco fica deslocado, dando a sensaçãoo de que o joelho está “fora do lugar”, momentaneamente, até que a alça retorne ao local de origem. Quando a alça está deslocada, é comum a queixa de travamento, ou seja, o joelho nem flete nem extende até a alça retornar à sua posição.

 

 

Como é feito o diagnóstico?

São usados 3 elementos para o diagnóstico:

 

A história do paciente, com os dados do momento da lesão e os sintomas

relatados, conforme acima citados.
O exame físico realizado por ortopedista com experiência no tratamento destas lesões, geralmente especialista emcirurgia do joelho. Existem alguns testes que falam a favor do diagnóstico.
Exames de imagem: Radiografias, Tomografias e Ultrassonografia pouco ajudam. O exame que auxilia é a Ressonância Magnética. Apesar de ser um excelente exame, muitas vezes deixa dúvida. Por este motivo, é muito importante um bom exame clínico.

 

Como é o tratamento?

O tratamento pode ser círugico ou sem cirurgia, com a realização de fisioterapia. Por se tratar de uma estrutura com pouca capacidade de cicatrização, o tratamento na grande maioria das vezes é cirúrgico , com a retirada da região lesionada, delicadamente, para ressecar o mínimo possível e regularizar as bordas, mantendo a função do restante do menisco que está sadio . Em pacientes jovens, com lesão há poucos meses, na região periférica do menisco, é possível o reparo do menisco (sutura com pontos), pois lesões com estas características tem bom potencial de cicatrização.
Neste caso, não há ressecção do menisco, preservando a estrutura.

 

 

 

Como é após a cirurgia do menisco?

No caso da simples ressecção da região lesionada, não há nada para cicatrizar, portanto o retorno às atividades é rápido. Oriento 1 semana de apoio com muletas, já com carga parcial, e já na segunda semana o paciente está autorizado a andar sem muletas. Quando é realizada a sutura do menisco, é necessário um período mais longo de muletas, entre 4 a 6 semanas, período para cicatrização da região suturada.

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