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Canto Posterolateral

Canto Posterolateral

O que é o canto posterolateral?

Complexo ligamentar que conecta o fêmur na tíbia e fíbula (fig 11), na região lateral (externa) do joelho, com a função de auxiliar na estabilidade do joelho, não permitindo que o joelho varize (Fig 12). Também tem ação na estabilidade rotacional do joelho, restringindo a rotação externa da tíbia. Uma vez lesionado, tem pouca capacidade de cicatrização, deixando o joelho instável. É formado por diversos ligamentos, sendo os principais: Ligamento Colateral Lateral; Tendão do Poplíteo e Ligamento Poplíteo-Fibular.

O que causa a lesão do canto posterolateral?

O mecanismo de lesão clássico do rompimento deste ligamento, é com torções do joelho, sendo a mais frequente aquela em que o pé fica fixo ao solo, o joelho vai para fora (estresse em varo), como demonstra a figura 13. São lesões pouco comuns em modalidades esportivas. Mais comum em acidentes com alta energia, como queda de motos. As lesões do canto posterolateral geralmente ocorrem associadas a lesões do Ligamento Cruzado Posterior ou do Ligamento Cruzado Anterior.

Quais os sintomas da pessoa que rompe o canto posterolateral?

Como geralmente está associada a outras lesões, os sintomas vão depender dos outro ligamentos rompidos. Um sintoma específico da insuficiência do canto posterolateral, que pode estar presente, é o desvio em varo do joelho durante a marcha, ou seja, ao apoiar o membro lesionado ao solo, o joelho tende a ir para fora, causando o que é chamado flambagem ou “varus thrust.” Além disso, o paciente pode sentir desconforto e instabilidade neste momento, e relatar que o joelho está “entortando para fora”.

Como é feito o diagnóstico?

Assim como os ligamentos cruzados, são utilizados 3 elementos para o diagnóstico: 1- A história do paciente, com os dados do momento da lesão e os sintomas relatados, conforme acima citados. 2- O exame físico realizado por ortopedista com experiência no tratamento destas lesões, geralmente especialista em cirurgia do joelho. O exame clínico é fundamental, pois é possível sentir a ação do ligamento e graduar quanto de instabilidade está presente, podendo até diferenciar uma lesão parcial de uma lesão total do ligamento. O exame sempre leva em comparação o outro joelho (não lesionado). 3- Exames de imagem: Radiografias, Tomografias e Ultrassonografia pouco ajudam. O exame que auxilia é a Ressonância Magnética. Apesar de ser um excelente exame, muitas vezes deixa dúvida se a lesão é parcial ou total. Por este motivo, é muito importante um bom exame clínico.

Como é o tratamento? Sempre tem que operar?

Lesões isoladas e parciais geralmente não geram instablidade portanto não causam sintomas e não é necessária a realização do procedimento cirúrgico. O tratamento é com fisioterapia com analgesia inicialmente seguido de fortalecimento, treino proprioceptivo e treino do gesto esportivo em questão. Já nos casos sintomáticos, com lesões de outros ligamentos associados, deve-se tratar cirurgicamente, com a reconstrução do ligamento central associado ( LCP ou LCA ou ambos), e também com a reconstrução dos ligamentos do canto posterolateral. Geralmente realizamos todas as reconstruções no mesmo ato operatório. Em casos em que todos os ligamento romperam ( LCA, LCP, LCM e Canto), operamos inicialmente o LCP e estruras laterais e medias, e em outro tempo cirúrgico o LCA.

Quais são as opções de enxerto?

Existem algumas opções de enxerto, podendo ser do próprio paciente ou até de cadáver. Pode ser do próprio joelho ou do outro joelho. Os enxertos mais comumente utilizados, são os tendões flexores (semitendíneo e grácil) . Em alguns países, utiliza-se tendões de cadáver. Devido a poucos bancos de tecidos no Brasil, esta opção é pouco utilizada. Porém como comumente são lesões associadas e portanto é necessária a reconstrução de outros ligamentos, a utilização de enxerto de cadáver é uma boa opção, e temos bancos disponíveis em São Paulo.

Como é após a cirurugia?

É fundamental a realização de fisioterapia após a cirurgia, podendo ser iniciada já nos primeiros dias de pós-operatório. Devido ao período de integração do enxerto, existem exercícios que são permitidos e outros não, e ao longo da reabilitação, conforme o passar das semanas, novos exercícios vão sendo introduzidos. É importante que o fisioterapeuta tenha experiência e conhecimento dos protocolos de reabilitação para uma boa recuperaçãoo e para não ocasionar lesões no enxerto. De forma geral, o paciente fica de um a dois dias internado, e inicia a fisioterapia na semana seguinte. Fica com imobilização por 6 semanas, com o joelho em extensão, porém a retira na fisioterapia para realizar mobilização passiva assistida pelo fisioterapeuta. Inicialmente, a ênfase é no ganho de mobilidade do joelho, analgesia e exercícios isométricos. Após o segundo mês, os exercícios são intensificados, e após o quarto mês, a ênfase é no fortalecimento final e nos exercícios de propriocepção (treino de equilíbrio). No final do sexto mês, estando a musculatura semelhante ao outro membro, e o equilíbrio restaurado, o paciente pode estar apto a retornar a sua prática esportiva.

Dr Luiz Gabriel Betoni Guglielmetti

Mitos da Ortopedia

Diversos termos e condutas relacionados à ortopedia são ditos e utilizados de forma incorreta, criando alguns mitos. Abaixo alguns esclarecimentos a respeito destes mitos:

1- “Foi só uma luxação!”
Esta afirmação é muito comum, e muitas pessoas acham que luxação é algum tipo de contusão, “pancada”ou trauma leve. Na realidade, luxação ocorre quando um osso se desloca da sua articulação. Exemplos: luxação do ombro é quando o ombro é deslocado, em outros termos, é quando sai do lugar. O mesmo para luxação do dedo da mão ou pé, quando ocorre o deslocamento. Geralmente as luxações lesam ligamentos importantes da articulação, sendo portanto lesões graves, em algumas situações mais graves que fraturas.

2- “Tendinite não tem cura”
Muitas pessoas que realizam movimentos repetitivos apresentam inflamações dos tendões, estruturas que conectam o músculo ao osso. Em casos crônicos (mais de 2 meses com a tendinite), o tratamento pode ser difícil e lento, porém dificilmente uma tendinite deixa sequelas, e frequentemente tem cura.

3- “Tive uma rejeição do metal”
É possível o nosso organismo produzir uma reação inflamatória contra algum material introduzido no corpo humano, como por exemplo contra metais, causando o que popularmente é chamado de rejeição. Porém é infrequente isto ocorrer com implantes metálicos ortopédicos. O que geralmente ocorre é um processo infeccioso causado por bactérias que aderem ao metal, e são de difícil tratamento pela dificuldade dos antibióticos agirem nesta região, sendo geralmente necessária a retirada dos implantes e limpeza cirúrgica.

4- “Tenho uma platina no osso”
Platina é um metal de transição. Atualmente, os implantes metálicos (placas, parafusos, próteses…) são constituídos por ligas metálicas, porém não é utilizado platina.

5- “Existe remédio para formar cartilagem?”
Nos últimos anos foram muito utilizados medicamentos para proteção da cartilagem das articulações, os chamados condroprotetores. Existem alguns tipos de condroprotetores, porém nenhum tem comprovação que estimula a produção de cartilagem. Alguns estudos apontam para a ação protetora da cartilagem que ainda está sadia por alguns medicamentos. Porém outros estudos consideram que não protegem a cartilagem, portanto o assunto é controverso. Os mais utilizados e estudados são os compostos com glicosamina e condroitina. Devido a um potencial analgésico, e poucos efeitos colaterais possíveis, são muito utilizados para artrose.

6- “Gelo ou quente?”
Dependendo da lesão e região do corpo acometida, existem algumas variações da utilização das compressas quente ou fria. De forma geral, logo após a lesão, ocorre a fase inflamatória aguda, com edema e sinais inflamatórios evidentes. Neste momento o gelo é o mais indicado, para inibir uma resposta inflamatória muito exuberante. Na fase seguinte, fase proliferativa, ainda há uma reação inflamatória, menos intensa, e ocorre o início da cicatrização. Neste momento, devemos utilizar o gelo para inibir a inflamaçãoo exuberante e utilizar o calor para estimular a chegadas de células cicatricias na região. Portanto nesta fase é interessante a troca de calor. Na fase final, ou fase cicatricial ou remodeladora, já não é necessário o gelo, pois a reação inflamatória não é muito importante, então o mais adequado é a aplicaçãoo do calor local. Vale citar que para cada tipo de lesão e local acometido, o tempo de cada fase pode variar, portanto o tempo que devemos realizar gelo, troca de calor e calor local somente varia.

7- “Fissura no osso é fratura?
É muito comum escutarmos: “tive apenas uma fissura no osso, mas não quebrou”. Vamos esclarecer: quebrar o osso = fratura. Existem fraturas completas e incompletas. Uma pequena “rachadura” no osso ou um mínimo “trincado” no osso são considerados fraturas incompletas, e devem ser tratados como fraturas, com tempo de cicatrização semelhante a fraturas completas. Portanto, qualquer “fissura”, “trincado”, rachadurinha”, são fraturas.

8- “É possível quebrar um osso do pé ou tornozelo e conseguir andar?
Sim! Existem fraturas com desvio e em locais que causam muita dor, e nestes casos dificilmente a pessoa consegue andar. Porém existem fraturas sem desvio ou estáveis que causam pouca dor, e aí sim é possível que a pessoa ande, e em algumas situações até continue realizando a atividade esportiva no momento da fratura.

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